Canal Brasil realiza programação especial com filmes indicados ao 16º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro

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Última atualização: 24/08/17 19:43 (cerca de 5 semanas atrás) / Visitas: 25 / Respostas: 0
Equipe Tela Brasileira
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Canal Brasil realiza programação especial com filmes indicados ao 16º Grande Prêmio do Cinema Brasileiro
 
Seis longas-metragens, entre ficções e documentários, serão exibidos na grade do canal em agosto
 
O Grande Prêmio do Cinema Brasileiro chega à sua 16ª edição no dia 5 de setembro, trazendo os melhores filmes realizados no país no último ano. No Canal Brasil, patrocinador da cerimônia, a festa começa mais cedo. O canal traz para o seu horário nobre seis títulos – entre eles, cinco coproduções – indicados às principais categorias da premiação em uma programação especial, reunindo, em quatro dias, películas que vão disputar o prestigiado troféu da Academia Brasileira de Cinema. São ficções e documentários vencedores de honrarias em grandes festivais no país e no mundo, em um panorama do que há de melhor na produção nacional.
 
Fazem parte da grade a comédia “BR 716”, de Domingos Oliveira; os documentários “Eu sou Carlos Imperial”, de Renato Terra e Ricardo Calil; “Cicero Dias - O Compadre de Picasso”, de Vladimir Carvalho; “Cinema Novo”, de Eryk Rocha; e “Menino 23 - Infâncias Perdidas no Brasil”, de Belisario Franca; além dos dramas “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro; “Mãe Só Há Uma”, de Anna Muylaert; e “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho.
 
Segundo Paulo Mendonça, sócio-diretor do Canal Brasil, a feliz coincidência de tantos indicados à premiação de melhor filme fazerem parte do acervo da emissora, viabilizou a criação de uma sessão dedicada ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. “A programação especial servirá não só para familiarizar o público do canal com os filmes concorrentes, mas também como um aquecimento para o evento de premiação a ser transmitido ao vivo pelo Canal Brasil no dia 5 de setembro”.
 
Programação:
 
Dia 28/08 (segunda), às 19h45
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BR 716 (2016) (90’) Direção: Domingos Oliveira – O prédio localizado no número 716 da Rua Barata Ribeiro, a poucos quarteirões da famosa orla de Copacabana, evoca lembranças carinhosas da mocidade do cineasta carioca Domingos Oliveira. O diretor viveu parte de sua juventude nesse tradicional ponto da zona sul do Rio de Janeiro, lugar onde hospedou festas regadas a álcool, sexo, música e poesia. O dramaturgo transformou o apartamento em cenário para sua mais nova fita, um recorte de memórias de seu passado. A coprodução do Canal Brasil foi a grande vencedora da 44ª edição do Festival de Gramado, realizada em 2016, de onde saiu com os Kikitos de melhor filme, direção, trilha musical e atriz coadjuvante (Glauce Guima). No elenco, Caio Blat, Sophie Charlotte, Pedro Cardoso, Daniel Dantas e Álamo Facó.
Concorre ao Grande Prêmio do Cinema nas categorias: Longa metragem comédia, Ator (Caio Blat), Atriz (Sophie Charlotte), Roteiro original (Domingos Oliveira) e Trilha sonora original (Domingos Oliveira).
 
As tomadas iniciais explicam rapidamente ao espectador o enredo do filme. Uma locução conta as memórias do diretor em 1963, quando Domingos morava no endereço que dá nome à película. Um ano antes do golpe militar, ele passava por um período conturbado emocionalmente. O narrador esclarece, no entanto, tratar-se de lembranças e percepções de seu realizador, não sendo estritamente uma história autobiográfica. A fotografia colorida logo ganha tonalidades de preto e branco, a voz esvai-se e o diretor passa a espelhar sua figura em Felipe (Caio Blat), seu alter ego nessa película. O protagonista é um escritor frustrado cujas desilusões profissionais e amorosas são descontas em álcool e festas realizadas nos míticos aposentos deixados para ele pelo pai (Daniel Dantas).
O apartamento é o ponto de encontro e praticamente o único cenário dessa história. As salas e quartos estão sempre repletas de amigos de Felipe, em sua maioria, jovens de classe média e alta experimentando um momento de liberdade pouco tempo antes do regime militar cercear direitos básicos dos brasileiros. O protagonista discorre sobre suas amizades – como a perturbada Isabel (Glauce Guima), dona do inusitado costume de recitar poesias em cima de uma escada no auge das festas – e amores, como Gilda (Sophie Charlotte), uma musa inspiradora de seus dias. Em meio a tanta gente alterada pela bebida e excêntrica por natureza, o escritor lembra passagens de seu passado, desde às celebrações, passando pelas tiradas cômicas até os momentos de decepção com os próprios fracassos.
 
Dia 28/08 (segunda), às 00h20
Descrição: Descrição: 16 anos
 

Eu Sou Carlos Imperial (2015) (89’) Direção: Renato Terra e Ricardo Calil – Carlos Imperial foi uma personalidade ímpar do universo nacional das artes. Sua figura foi tão singular que seria difícil caracterizá-lo em poucas palavras. Compositor, produtor musical, cineasta, apresentador de televisão, político, sambista, cafajeste, mulherengo, genial, controverso e pilantra seriam termos possíveis para tentar explicar sua trajetória pessoal e profissional, abreviada aos 55 anos após reação adversa ao pós-operatório de uma lipoaspiração. Os documentaristas Renato Terra e Ricardo Calil – os mesmos responsáveis pelo bem-sucedido Uma Noite em 67 (2010) – se debruçam sobre a memória desse polêmico personagem, fundamental para entender a nossa cultura no século passado.
Concorre ao Grande Prêmio do Cinema nas categorias: Longa metragem documentário e Montagem documentário.
 
A coprodução do Canal Brasil apresenta as diversas facetas dessa controversa e brilhante figura da cultura no país, em especial da música. Imperial foi responsável por descobrir e lançar alguns dos nomes mais importantes da MPB como Roberto Carlos, Tony Tornado, Jerry Adriani, Wilson Simonal, Elis Regina e Tim Maia, entre outros. Seu repertório passava por sucessos da Jovem Guarda como Pode Vir Quente Que Eu Estou Fervendo, gravada por Erasmo Carlos, e pela mistura de samba e pilantragem de Mamãe Passou Açúcar em Mim, eternizada na voz de Wilson Simonal. Sua brilhante capacidade de produzir hits caminhava lado a lado com sua canalhice, e o documentário mostra as muitas vezes em que o retratado roubou composições alheias e até registrou canções de domínio público, como Meu Limão, Meu Limoeiro.
Imperial fazia de tudo para conquistar a fama. O “Tremendão” recorda a briga simulada com o protagonista para ganhar atenção da mídia. Paulo Fattar, seu assistente de produção, comenta a armação contra o ator Mário Gomes, quando ele passou uma nota a um jornal afirmando que o intérprete havia procurado um hospital “com uma cenoura em local absolutamente invisível”, em suas palavras. Há ainda o envio de cartões de natal atrevidos ao exército, o suficiente para lhe render um período na solitária no presídio de Ilha Grande; a invenção de uma gravação dos Beatles da canção Asa Branca, de Luiz Gonzaga; e a lenda sobre o roteiro do filme Mulheres... Mulheres (1981), de sua autoria, supostamente inspirado em conto do poeta italiano Paolo Pasolini, não havendo, contudo, qualquer semelhança entre os dois textos.
Cada depoimento constrói um plural mosaico das várias facetas desse controverso personagem. Dois de seus filhos – foram 11, com sete mulheres diferentes – rememoram a conturbada questão da paternidade. Roberto Carlos e Tony Tornado explicam como o conheceram e contam as muitas histórias vividas. Com um extenso material de arquivo, os diretores recuperam entrevistas concedidas por Imperial em diversos momentos. Sempre sedutor, ele comenta sua carreira artística, a eleição como vereador no Rio de Janeiro – foi o político mais votado no pleito de 1982 –, a criação do Partido Tancredista Nacional (PTN) e sua participação como locutor nas apurações da Liga Independente das Escolas de Samba (LIESA) do carnaval carioca. Tudo isso com o indefectível ar de cafajeste responsável por seu charme.
 
Dia 29/08 (terça), às 19h45
 
image008.pngCicero Dias – O Compadre de Picasso (2016) (77’) Direção: Vladimir Carvalho – Cicero Dias pincelou sua notável arte por quase 100 anos. Suas telas encantaram apreciadores da pintura ao redor do mundo, e seu talento foi reverenciado por alguns dos mais ilustres artistas plásticos do último século, como Pablo Picasso – o espanhol veio a se tornar padrinho de sua filha, Sylvia, como sugere o título desta coprodução do Canal Brasil – e Joan Miró, entre outros. O documentarista Vladimir Carvalho faz um resgate primordial da biografia e obra desse pernambucano fundamental para o movimento modernista brasileiro, em um registro afetivo com depoimentos do próprio protagonista, falecido em 2003, e de expoentes da cultura nacional como Ariano Suassuna e do artista plástico Francisco Brennand, entre outros.
Concorre ao Grande Prêmio do Cinema na categoria: Longa metragem documentário.
 
Escolhido como melhor roteiro e direção na mostra Câmara Legislativa do Festival de Brasília em 2016, o filme tem início no mítico Cemitério de Montparnasse, local do repouso eterno de intelectuais como Samuel Beckett, Charles Baudelaire, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, onde Cicero também está enterrado. Seu túmulo atrai visitantes de todos os lugares do mundo e seu epitáfio traz como mensagem os dizeres Eu Vi o Mundo... Ele Começava no Recife, título de um de seus principais trabalhos. Após essa breve demonstração da relevância internacional da obra do protagonista, a direção inicia o resgate cronológico da vida do artista plástico. Filho de um clã tradicional, ele levava às telas o dia a dia do engenho Jundiá, propriedade da família, a primeira inspiração para suas pinceladas.
O interior do estado nordestino deixa de ser o cenário da trajetória do pintor na década de 1920, quando ele desembarca no Rio de Janeiro trazendo quadros exalando cores quentes e vivas, figuras femininas sensuais e elementos da terra e do campo. Logo após sua chegada na cidade, começa a conviver com ícones do modernismo nacional, em alta à época, como Mário de Andrade, Tarsila do Amaral e Manuel Bandeira, e inicia os estudos na Escola Nacional de Belas Artes. Pouco tempo depois, lança o revolucionário painel Eu Vi o Mundo... Ele Começava no Recife, mas o Estado Novo de Getúlio Vargas faz com que Cicero aceite a sugestão de Di Cavalcanti e siga a Paris. Na cidade luz, ele é apresentado ao surrealismo e ao abstracionismo e torna-se amigo dos espanhóis Miró e Picasso, além do poeta francês Paul Éluard.
Os depoimentos registrados pela película reforçam a magnitude do trabalho de Cicero Dias para a arte nacional e internacional. Ariano Suassuna comenta as semelhanças da obra do pernambucano aos quadros de Marc Chagall, ícone do movimento surrealista – comparação sempre rejeitada pelo brasileiro. O pintor e escultor Francisco Brennand lembra casos curiosos do período passado em Paris, como o episódio em que o artista plástico pagou um funcionário de um barco para roubar os sapatos da atriz hollywoodiana Rita Hayworth, e o momento em que conheceu o grande amor de sua vida, Raymonde. O próprio protagonista comenta detalhes de sua história em depoimentos de arquivo, como em uma gravação histórica ao lado de Roberto Freire, em um registro indispensável dessa figura crucial para a arte brasileira.
 
Dia 29/08 (terça), às 00h15
 
Descrição: Descrição: 16 anosBoi Neon (2016) (100’) Direção: Gabriel Mascaro – Gabriel Mascaro é uma das mais promissoras revelações do cinema brasileiro. As películas assinadas pelo pernambucano conquistaram plateias ao redor do mundo e mais de 50 honrarias. Sua estreia no comando de longas-metragens de ficção em Ventos de Agosto (2014) lhe rendeu os Candangos de melhor roteiro e atriz (Dandara de Morais) na 47ª edição do Festival de Brasília. Sua segunda e mais recente incursão em películas dramáticas foi ainda mais bem-sucedida. Esta coprodução do Canal Brasil recebeu quatro Redentores no Festival do Rio – melhor filme, roteiro, fotografia e atriz coadjuvante (Alyne Santana) –, Prêmio Especial do Júri em Havana (Cuba) e Veneza (Itália), e melhor filme nas mostras de Adelaide (Austrália) e Varsóvia (Polônia). No elenco, Juliano Cazarré, Maeve Jinkings, Vinicius de Oliveira e Carlos Pessoa.
Concorre ao Grande Prêmio do Cinema nas categorias: Longa metragem ficção, Direção, Ator (Juliano Cazarré), Atriz coadjuvante (Maeve Jinkings), Direção de fotografia, Roteiro original, Figurino, Maquiagem, Montagem Ficção e Som.
 
Iremar (Juliano Cazarré) trabalha nos bastidores das chamadas vaquejadas, esporte cruel e tradicional do árido sertão nordestino no qual os peões devem emparelhar com um boi e derrubá-lo antes de atingir uma certa marca de cal riscada no saibro das arenas. Seu ofício consiste em preparar o bicho para entrar no curro, espalhando areia em seus rabos para auxiliar a puxada dos boiadeiros e facilitar o deleite de plateia em ver a fera caída. O sonho de sua vida, no entanto, corre bastante longe da realidade dessa versão diminuída de um rodeio, e ele passa os dias a pensar e desenhar os modelos de uma grife de moda feminina. O matuto fantasia sobre labutar no fabrico de roupas do Polo de Confecções do Agreste, especializado em trajes de banho – apesar da realidade local ser formada por barro e poeira, mais de 100 quilômetros distante da costa.
A desconstrução e o reposicionamento de estereótipos são traços fundamentais desta história. Iremar aspira trabalhar com moda e desenha modelos femininos em revistas pornográficas, cobrindo as mulheres nuas, em meio a um ambiente amplamente dominados por homens – e, por consequência, extremamente machista. Ele viaja pelo sertão na boleia do caminhão de Galega (Maeve Jinkings) e Cacá (Alyne Santana), filha da motorista. São da mulher as obrigações de dirigir e cuidar da mecânica do veículo, funções comumente atribuídas aos homens. Não é feito, em qualquer momento, algum questionamento sobre a orientação sexual dos personagens, fato que reforça a discussão sobre padrões de gênero. A provocação vai além quando o vaqueiro encontra Geise (Samya De Lavor), uma gestante que vigia uma fábrica de roupas. Em vez da exaltação à sacralidade da gravidez, o diretor a insere como uma figura de libido aflorada.
A herança documental da filmografia de Gabriel Mascaro norteia o roteiro, também de autoria do cineasta, e se faz presente em diversas particularidades da película. Assim como em Ventos de Agosto (2014), a narrativa é focada na observação, investigação e contemplação da rotina e do ambiente dos personagens. O argumento do diretor não exige um trilho com início, meio e fim, e os tipos retratados não evoluem em atalhos lineares, saindo de um ponto de partida com o objetivo de encontrar o fim do caminho. O agreste pernambucano, com suas idiossincrasias e singularidades, é o resumo do universo de suas figuras. É um mundo seco, em que bestas e pessoas se confundem, em um embate estético entre a poesia animal e a selvageria humana. Poeira, aridez e pobreza se misturam no cotidiano de gente que até pode sonhar com a liberdade e velocidade de um cavalo, mas passa a vida enclausurada nos currais como gado.
 
Dia 30/08 (quarta), às 19h45
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Cinema Novo (2016) (80’) Direção: Eryk Rocha – Eryk Rocha conheceu e viveu de perto o Cinema Novo. Filho de Glauber Rocha e Paula Gaitán, dois grandes expoentes do movimento que revolucionou o cinema brasileiro a partir da década de 1960, o diretor apontou novamente suas lentes para produzir um filme-ensaio e investigar de forma poética os pormenores da corrente que transformou a sétima arte nacional em uma nova aventura de criação, amizade e inconformismo com a realidade do país à época. Coproduzida pelo Canal Brasil, a película foi recentemente premiada com uma das principais láureas do mundo cinematográfico, o Olho de Ouro na edição de 2016 do Festival de Cannes.
Concorre ao Grande Prêmio do Cinema nas categorias: Longa metragem documentário e Montagem documentário.
 
A obra é um grande passeio pela história da nossa sétima arte. Pai do diretor e figura crucial na história da filmografia nacional, Glauber Rocha abre o roteiro confirmando a relevância de Humberto Mauro, cuja obra é comparada pelo cineasta baiano ao trabalho de Di Cavalcanti e Candido Portinari, e fala sobre a consciência política e revolucionária dos realizadores do período. Joaquim Pedro de Andrade lembra as tonalidades realistas trazidas às câmeras, em uma tentativa de dissertar sobre os problemas do povo brasileiro, tão pouco representado à frente das lentes. Leon Hirszman relembra o momento em que conheceu Nelson Pereira dos Santos e as muitas sessões assistidas de Rio, Zona Norte (1957), filme seminal do cineasta paulistano.
As entrevistas resgatadas por Eryk Rocha são verdadeiras preciosidades do cinema brasileiro, sempre complementadas por imagens dos filmes debatidos pelos cineastas. Carlos Diegues comenta a vontade dos realizadores em descobrir uma linguagem brasileira de contar a história e as questões do país e como a amizade entre os idealizadores foi fundamental para conceder uma boa dose de solidez ao movimento. Há ainda depoimentos de Luiz Carlos Barreto, Ruy Guerra, Paulo César Saraceni, David Neves, Nelson Pereira dos Santos, Orlando Senna, Arnaldo Jabor e Walter Lima Jr., entre tantos outros, em observações de suas perspectivas sobre esse momento singular e seu legado para as gerações futuras.
 
Dia 30/08 (quarta), às 00h15
Descrição: Descrição: 16 anos
 

Mãe Só Há Uma (2016) (90’) Direção: Anna Muylaert – O caso de Pedro Rosalino Braule Pinto chocou o país na década de 1980. Pedrinho, como ficou conhecido pela grande mídia, foi raptado ainda na maternidade, em Goiânia, e passou 16 anos considerando como mãe sua própria sequestradora – a mulher também tomou à força uma menina, a quem ele chamou de irmã por mais de uma década. A cineasta Anna Muylaert inspirou-se livremente no caso para dissertar sobre as agruras da adolescência, período notoriamente confuso da vida, adicionando o drama de um menino que tem seu cotidiano virado de cabeça para baixo depois de descobrir ter sido separado de sua família ainda em seus primeiros suspiros. No elenco, Naomi Nero, Dani Nefussi, Matheus Nachtergaele e Luciana Paes.
Concorre ao Grande Prêmio do Cinema nas categorias: Longa-metragem ficção, Direção e Roteiro original.
 
Pierre (Naomi Nero) é um adolescente de 16 anos de perfil nada convencional e desobediente às convenções tradicionais de gênero. Com um visual andrógino, ele toca em uma banda de rock, se veste com roupas femininas, pintas as unhas, usa maquiagem no rosto e demonstra interesse por ambos os sexos, mas é acompanhado por meninas na maioria das vezes. Ele mora com a mãe, Aracy (Dani Nefussi), e a irmã, Jacqueline (Laís Dias), em um apartamento pequeno e sem muito conforto. A vida não lhe traz grandes emoções, e ele demonstra o típico comportamento rebelde de um jovem aparentemente perdido. Seu cotidiano é radicalmente alterado quando um oficial de justiça bate à porta de sua casa alegando que sua mãe, na verdade, o raptou da maternidade ainda bebê, e seus pais biológicos o procuram desde então.
A revelação altera radicalmente o dia a dia do jovem. Aracy é presa e, enquanto aguarda julgamento, Pierre é encaminhado por uma assistente social à casa de seus pais biológicos, um casal bem-sucedido formado Matheus (Matheus Nachtergaele) e Glória (também interpretada por Dani Nefussi), onde mora Joca (Daniel Botelho), seu novo irmão – Jacqueline também é levada pelos progenitores reais. O sonho do reencontro com o filho há décadas distante, afastado por um crime bárbaro, é, ao mesmo tempo, um pesadelo para o adolescente quando a euforia por recuperar o tempo perdido transforma-se em sufocamento emocional. Ansioso, os consortes tentam recomeçar a vida e incluir o menino em um cotidiano já pré-estabelecido, muitas vezes forçando seus próprios costumes e hábitos na rotina dele.
Anna Muylaert foca os traços de seu roteiro – escrito a quatro mãos com Marcelo Caetano – na observação dos conflitos dessa família recomposta depois de uma década. A cineasta insere um abismo emocional na diferença entre o que Matheus e Glória esperam de Pierre – agora rebatizado de Felipe – e aquilo que o menino tem a oferecer de fato. Longe de uma abordagem maniqueísta, a direção expõe os erros e acertos de ambos os lados dessa narrativa. A sexualidade dúbia do protagonista é alvo da ira do seu novo pai, e a esperança de uma coexistência harmônica cai por terra quando o casal é obrigado a lidar com a verdadeira personalidade do jovem. Os frequentes embates serão responsáveis por elevar exponencialmente sua rebeldia e com apenas 16 anos, ele é novamente roubado por estranhos persistentes em chamá-lo de filho.
 
Dia 31/08 (quinta), às 19h45
 
image008.pngMenino 23 – Infâncias Perdidas no Brasil (2016) (90’) Direção: Belisario Franca – O historiador Sidney Aguilar Filho falava sobre a 2ª Guerra Mundial em sala de aula quando foi interrompido por uma aluna. A menina afirmou ter visto a suástica, símbolo do regime de Adolf Hitler, cravada em tijolos de uma propriedade da família em Campina do Monte Alegre, no interior de São Paulo. O comentário da moça chamou atenção do estudioso, e ele decidiu investigar a fundo a denúncia. As descobertas foram chocantes. O professor deflagrou a triste memória, ocultada por praticamente um século, de uma espécie de campo de concentração nazista comandado por brasileiros que recrutaram crianças órfãs negras para trabalhos forçados. Publicada em 2011, a tese do pesquisador é o norte do guião do documentário de Belisario Franca, vencedor dos prêmios de melhor roteiro e montagem no Cine Ceará em 2016.
Concorre ao Grande Prêmio do Cinema nas categorias: Longa metragem documentário e Montagem.
 
A coprodução do Canal Brasil remonta as etapas do método de pesquisa do historiador em sua busca por evidências para esse passado nefasto da história brasileira. Os indícios mencionados pela aluna levaram o professor à Fazenda Cruzeiro do Sul, no interior do estado de São Paulo. Ao chegar à propriedade, o experto conhece a figura responsável por pavimentar a estrada para os seus estudos. Aloísio Silva, um homem de 93 anos, morador do local desde a infância. Questionado pelo docente sobre suas memórias no sítio, ele rapidamente compartilha uma nova informação ainda mais preocupante quando colocada lado a lado com os símbolos nazistas. Ele fez parte de um grupo de 50 meninos negros órfãos, moradores do Educandário Romão Duarte, no Rio de Janeiro, levados ao local na década de 1930 pelos industriais da família Rocha Miranda para efetuar trabalhos em regime análogo ao de escravidão no âmbito rural.
A união das duas referências adquiridas ligou um sinal de alerta para o professor, imaginando que os indícios não poderiam ser meras coincidências. O filme registra as conversas do pesquisador com Aloísio, e a cada depoimento, o sobrevivente revela casos surpreendentes. O “Menino 23” – cada um dos jovens era identificado por um número de acordo com sua altura – narra os abusos sofridos no campo, as promessas de uma vida tranquila na área rural, as torturas de capatazes cruéis e o exaustivo trabalho cuidando de plantações e animais em troca de apenas um prato de comida. Em seus relatos, o entrevistado reconhece um companheiro de infância: Argemiro Santos. Depois de muita busca, Sidney consegue encontrar mais uma testemunha dessa atrocidade na cidade de Foz do Iguaçu, no sul do país, e os relatos confirmam o ideal nazista e escravocrata da fazenda.
O documentário contextualiza o momento histórico vivido pelo país à época para esclarecer como foi possível a realização de tão perversa prática. Na década de 1930, o governo de Getúlio Vargas flertou com ideais nazistas e adotou, como dever do próprio estado, uma política de eugenia. Ao mesmo tempo, o roteiro explica como a elite brasileira tentou contornar o fim da escravidão com medidas inescrupulosas, como a falta de políticas de reinserção social deixou milhares de negros à margem da sociedade e como foi permitida a guarda de 50 órfãos por um único tutor sem qualquer comprovação de capacidade para cuidar da vida de tantos meninos. O filme mostra ainda os efeitos do avanço do pensamento de Hitler no Brasil, país com o maior partido nazista fora da Alemanha, e a criação da Aliança Integralista Brasileira, movimento fascista tupiniquim constituído como uma alternativa nacional de filosofia totalitária e excludente.
 
Dia 31/08 (quinta), às 00h15
Descrição: Descrição: 16 anos
 

Aquarius (2016) (140’) Direção: Kleber Mendonça Filho – O edifício Oceania, às margens da praia de Boa Viagem, é símbolo de uma parte da história do Recife determinada a resistir à destruição de sua identidade cultural em prol dos chamados avanços do progresso e da modernidade. As orlas das capitais costeiras, comumente tidas como terrenos hipervalorizados, assistiram, ao longo do tempo, suas casas e seus prédios serem substituídos por suntuosos condomínios de luxo. O diretor Kleber Mendonça Filho utilizou esse baluarte da memória de sua terra natal como o verdadeiro protagonista de seu mais recente trabalho. Indicado à prestigiada Palma de Ouro no Festival de Cannes e vencedor de 20 láureas nacionais e internacionais, o filme traz no elenco Sônia Braga, Humberto Carrão, Irandhir Santos e Maeve Jinkings.
Concorre ao Grande Prêmio do Cinema nas categorias: Longa metragem ficção, Direção, Atriz (Sonia Braga), Atriz coadjuvante (Maeve Jinkings), Ator coadjuvante (Irandhir Santos), Roteiro original, Direção de arte, Efeito visual, Montagem ficção, Som e Trilha sonora.
 
A fita é dividida em três capítulos. De início, o roteiro leva o espectador ao Recife dos anos 1980. Na sala do apartamento com vista para o mar de Boa Viagem é realizada uma festa em comemoração aos 70 anos de Tia Lúcia (Thaia Perez). Reunida, a família bebe, come e dança em uma celebração alegre. A música é brevemente cessada para possibilitar um momento de honras. As crianças leem uma carta em homenagem à aniversariante, que propõe, posteriormente, um brinde à situação. Após a saudação coletiva, Adalberto (Daniel Porpino) faz um discurso em tributo à esposa, Clara (Bárbara Cohen), em reabilitação de um câncer de mama – o primeiro ato leva o nome de “O Cabelo de Clara” em referência as madeixas curtas da protagonista, recuperando-se da calvície, efeito colateral do agressivo tratamento à doença.
A trama salta da década de 1980 para o presente, sob o título de “O Amor de Clara”. A jornalista e escritora (agora vivida por Sônia Braga) é viúva há quase 10 anos e mora sozinha no mesmo apartamento da festa. A residência ainda guarda os antigos traços da decoração de tempos anteriores, com estantes repletas de livros e discos de vinil, mas ela está sozinha não apenas em casa, mas também no prédio. Seus vizinhos cederam ao assédio da Construtora Bonfim, representada por Diego (Humberto Carrão) e Geraldo (Fernando Teixeira), interessada em comprar todos os aposentos para demolir o edifício e construir um projeto mais moderno, de acordo com o padrão luxuoso dos imóveis da orla. A única remanescente se recusa a aceitar a oferta dos engenheiros, e mesmo com a insistência da empreiteira, nem ao menos topa ouvir uma proposta.
A câmera acompanha o cotidiano da protagonista propondo questionamentos políticos e sociais a cada atividade de seu dia. A jornalista parece flertar com o salva-vidas Roberval (Irandhir Santos) em suas idas à praia. Ao lado das amigas em uma noitada, a direção discorre sobre a dificuldade para retomar a vida amorosa aos 65 anos, e o tabu relacionado à nudez e sexualidade de uma mulher submetida a uma mastectomia. A construtora mostra a inescrupulosa pressão das grandes empresas despreocupadas com a manutenção de uma tradição em prol do lucro possível em um imóvel de luxo. Há ainda os problemas familiares, focados principalmente no relacionamento conturbado com a única filha, Ana Paula (Maeve Jinkings), e uma breve crítica ao universo de traficantes de drogas oriundos da elite de uma grande cidade.
 
Informações para a imprensa
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